Na Mala,

MECAINHOTIM vale a pena?

Estou de olho no MECA desde 2013, quando o festival ainda rolava em Santa Catarina e trouxe Friendly Fires, uma das minhas bandas favoritas. No ano passado ouvi falar sobre o MECAINHOTIM. De início rolou uma indecisão bem grande se deveria ou não ir. Também não conhecia Inhotim e pensei que poderia ser a oportunidade perfeita.

Plot twists à parte, não consegui ir. Eis que esse ano, de última hora, tudo se encaminhou devidamente e parti na sexta-feira, 07 de julho, 6h da manhã para conhecer esse evento de perto.

De cara, ainda na sexta, dei de cara com uma paisagem pra lá de linda com o parque de Inhotim à noite: que vista! Se engana quem fica com o pé atrás de investir no MECA. Eles vendem a ideia de “The biggest smallest cultural platform” e conseguiram real oficial trazer à vida esse paradoxo gringo.

Produzimos os eventos que a gente gostaria de ir. Geramos o conteúdo que a gente gostaria de consumir. Construímos os lugares que a gente gostaria de frequentar. Criamos os produtos que a gente gostaria de comprar. Investimos nos negócios que a gente gostaria de participar. Aproximamos as pessoas com quem a gente gostaria de conviver. Conectamos as marcas que a gente gostaria de trabalhar. Simples assim. – MECA

A surpresa quanto ao lugar foi positiva. Restava saber se as atrações iam me impressionar também. Confesso logo que nem tinha visto quem ia comparecer ao evento – descobri que Jorge Ben Jor ia tocar quando estava no caminho de ida, por sinal.

O line-up e a programação me deixou sim de queixo caído. Mas vamos voltar ao foco principal: de todas as atrações na sexta, duas me encantaram bizarramente. São elas:

M O O N S

Sou suspeita para falar, já que sou toda viciada em valorização do local. E o MECA cumpriu bem esse papel oferecendo o palco pra uma galera massa de Minas Gerais. Um deles foi André Travassos, banda de um homem só. É ele quem toca o M O O N S, um projeto musical que te dá aquela vontade de fechar o olho e viajar, só isso. Uma vibe meio space rock, meio psicodélico, meio folk, meio emocionante. Ouça só:

Balako

Chegou a meia noite e subiu ao palco a dupla de DJs cariocas Diogo Strausz e Rodrigo Peirão, com o projeto Balako. O início meio lento do set fez com que a gente imaginasse que a batida viajante ia permanecer. Mas não! Em um outro plot twist, começou uma batida eletrônica tropical que conseguiu remexer absolutamente todo o mundo que estava presente. Ouso dizer que me lembrou muito do show do Disclosure. Nesse clima tropical maravilhoso e mega cansada da viagem, me despedi da sexta-feira no MECA, mas não me despeço desse set:

O sábado de festival começou logo cedo, com um bocado de palestras, workshops e até uma mesa redonda que visava discutir a moda contemporânea, com Jackson Araujo, Amélia Malheiros (Hering) e Taciana Abreu (Farm). Fiquei mesmo foi de olho nas palestras da tarde e dediquei meu dia à explorar um pouco do parque Inhotim, já que o festival me dava a oportunidade de unir moda, cultura e arte numa tarde só, além de poder curtir depois as Sunset Parties.

Lá da Favelinha

Conheci pela tarde o projeto cultural Lá da Favelinha, uma iniciativa da comunidade mineira do Aglomerado da Serra. Lá rolava um workshop e uma batalha de passinhos, com os passistas do Passistas Dancy. O movimento me encheu os olhos de lágrimas e vale a pena conhecer. São jovens que montaram um espaço que tira jovens da rua e as artes, a cultura e o funk como instrumento para a construção de um futuro melhor. O Lá da Favelinha vive de campanhas de financiamento coletivo e vale a pena ajudar!

Conheci dai o rapper Kdu dos Anjos, gestor do projeto. Além de um humor fora do comum, o cara manda bem pra caramba. Olha só:

Domingo rolou um clima doido de nostalgia, ainda no lugar. Entre as várias oficinas, consegui fazer a de cordinha com a galera do Fio Sol em parceria com a Ray-Ban. Deu um toque mega especial para meu óculos.

E ai vieram as palestras vespertinas, um momento de apreciação do parque deitadinha na grama, mais passinho do Lá da Favelinha e os shows.

Lia Paris

Me despedi conhecendo a paulista Lia Paris, com uma voz estrondosa de arrepiar até quem não conhece, um grave exepcional, alguns covers ressignificados e uma pequena meio andrógena. Que banda, meus amigos!

Lumen Craft

Por fim, passeando pela tarde esbarrei na passagem de som do Lumen Craft. Sem saber que era uma banda que iria se apresentar mais tarde, me sentei à grama e assisti a toda a passagem. Um pouco sem saber ainda como que tanta coisa irada se reunia em um lugar só, fiquei ali quietinha apreciando o momento.

À noite, descobri que o Lumen Craft se apresentava no palco principal e fui assistir ao show.

Se você curte um som bastante experimental, sintetizado, num mix de J. J. Cale, Glass Animals, Alt-J e SBTRKT, essa banda é para você. O trio paulista John Evans, Ceah Pagotto e Noah Guper se juntaram pela primeira vez em 2007 e agora, dez anos depois, mostram um som maduro, qualidade e envolvimento de palco e vibes. Muitas vibes.

Já podem rolar as considerações finais? Se sim, não tenho muito a dizer a não ser: MECA, porque você não acontece umas quatro vezes por ano? Já ansiosa pelo que 2018 vai oferecer.

Veja aqui os looks Brasília que invadiram o MECAINHOTIM.

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